quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Obamamania - Black Power

A Ilusão de que com Barack Obama, os EUA será um país diferente toma conta da mídia mundial, sugere-se uma nova era de ouro para a américa e para o mundo. Cramsci em seus escritos coloca que uma classe dominante ou uma classe hegemônica cria para sí uma textura hegemônica ou seja a sua base ideológica para dar suporte a sua existência, são criadas uma série de mecanismos tanto institucionais, como de idéias e de relações sociais que se perpetuam e criam para sí um consenso de valores, naturalizando assim a forma de pensar de um grupo hegemônico sobre os dominados se materializando desta forma em um conceito de governo. Para ilustrar esta idéia melhor, uso das idéias de Henry David Thoureau, quando o mesmo classifica o estado americano como uma tradição, empenhada em passar inalterada para a posteridade. Tendo este pensamento o homem (Barack Obama) é apenas um intrumento de uma classe hegemônica materializada num conceito de estado liberal sustentado por uma ideologia hegemônica, então este estado é alheio ao indivíduo que o representa. Então não podemos esperar grandes mudanças na configuração mundial, pois não houve uma ruptura ideologica, não foi criada e massificada uma nova forma de se conduzir as questões relevantes a sociedade humana, é apenas o mesmo de cara e cor nova. Para terminar penso no conceito utilizado por Marcuse, ao definir o indivíduo conformistas, consumista, desprovido de crítica e que só consegue ver apenas a aparência das coisas, o Homem Unidimensional.



O texto abaixo foi escrito sem muita preocupação acadêmica ou racional etc, escrevi como veio a cabeça....floreando as minhas besteiras com trechos do livro Sociedade do espetáculo.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação.” Guy Debord.


A América depois do pastelão tenta se recriar perante ao mundo, sai o bronco(texano típico americano), entra um negro filho de um africano com origens muçulmana para começar uma nova era de glória para a América, o kennedy negro, a mudança que todos estavam esperando, uma chance para um mundo melhor. O modo de vida americano demonstra que na maravilhosa democracia americana até um negro pode se tornar o homem mais poderoso do mundo.


A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem , onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo”. Guy Debord.

Barack Obama, o presidente negro, bem educado, exemplo de marido, bom pai, o novo herói do mundo, um sujeito cool.Agora palestinos e israelenses de mãos dadas e de joelhos,com sorrissos insano de alegria e felidade, com os olhos loucos e brilhantes cheios de um brilho ofuscante, num gesto de vislumbre ao novo mundo onde o sol brilha e os pássaros cantam lindas melodias, se confraternizam e prometem esquecer suas diferenças e viver em harmonia e fraternidade. Este é o poder negro da América Branca lar dos bravos e berço da democracia.

O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o
projeto do modo de produção existente. Ele não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real.” Guy Debord

Enfim o Super-Herói negro, icone pop, dominará o mundo com sua fala mansa e seus ternos alinhados, sua imagem irá estampar camisetas, suas frases serão repetidas, quem saiba vire um símbolo, um novo mártir, sendo assassinado por um americano branco (bronco, típico americano, quem sabe texano), o mudo dirá que o super-heroi negro tinha tudo para mudar o mundo, que nunca houve alguém igual a ele. Hollywood fará filmes grandiosos, poemas serão escritos, estátuas levantadas.

O espetáculo apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. o que aparece é bom, o que é bom aparece». A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva que, na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, pelo seu monopólio da aparência”.Guy Debord.

E o mundo, este segue o mesmo, a mesma realidade dura de cada manhã, mas o homem jaca, a mulher melão, a velha uva (passa), o velho catuaba, o Barack Obama detento, irá continuar viver um sonho vagabundo comprado a crediário, pois este não lhe doi na pele e faz parecer que num espaço de tempo não tão distante, o mundo possa ser um lugar melhor, esta é a sina do cordeiro que escolhe o caminho da ignorância pois este é sempre o caminho mais fácil.

O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens.” Guy Debord.

2 comentários:

Parabéns Márcio pela iniciativa do blog! Apesar do espetáculo que transforma o irreal em real mergulhando as consciências nas águas turvas da ignorância, condicionando- as a comungar de um espírito de rebanho que as embrutecem desumanizando-as, a palavra crítica e sua intervenção no espaço público ou no caso aqui no espaço virtual da internet significa a resistência frente ao espectro da Barbárie que paira e se faz presente no cotidiano de nosso dia a dia ....quantos percebem a presença desse espectro?? alguns já estão sentindo sua presença física e seu hálito podre....os flagelados pelas catástrofes naturais, os miseráveis famintos de vários países do continente africano e asiático...o espectro da bárbarie foi e continua alimentado e cultuado pela sociedade do espetáculo.. Caetano Veloso em uma de suas letras escreveu a seguinte frase: "Enquanto os homens exercerem seus podres poderes matar e morrer de fome serão gestos naturais"...devemos modificá-la: "Enquanto o Homem estiver entretido pela sociedade do espetáculo, matar e morrer de fome serão gestos naturais".... Um forte abraço de seu amigo Juliano Rossi.

Olá Márcio!
Parabéns pela iniciativa.
Vou acompanhar as suas intelecções.
Abraços

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