domingo, 12 de abril de 2009

Trabalho, Trabalho...



Domingo, véspera de segunda me fez pensar no trabalho novamente...


David Ricardo fazia em seus escritos uma clara distinção entre a noção de valor e a noção de riqueza. O valor era considerado como a quantidade de trabalho necessária a produção do bem, não precisando, entretanto ser abundante, mas sim do maior ou menor grau de dificuldade na sua produção. Já a riqueza era compreendida como os bens que os indivíduos possuem.

Como o mercado se impôs como instituição organizadora da vida econômica, a existência de um mercado de trabalho surgiu de forma natural, passando então o trabalho ser um bem do individuo ( a sua capacidade de trabalho ). Mas ter o bem de trabalho não resultou ao seu portador possuir riqueza, pois esta noção tornou a posse do trabalho uma coisa, pois o trabalho um bem próprio do ser humano (ou seja sua capacidade de trabalho) podia ser comprada e vendida, que podia se tornar escassa ou abundante sendo assim podia ser descartada ou substituída.

Assim o trabalho que segundo Karl Polanyl é ama atividade humana que acompanha a própria vida, q portanto não é produzida para a venda, mas para diversas razões e não podendo ser descartada do resto da vida, não pode ser armazenada ou mobilizada como mercadoria é totalmente fictícia, pois bem será que amanhã segunda feira estarei confrontando mais um espetáculo da sociedade, ou a minha matrix diária de mentira? Ou serei apenas mais um individuo acordando cedo vendendo a sua única riqueza (sua força de trabalho) , para poder sobreviver e fazer seu papel coadjuvante no espetáculo reprisado e mal escrito, que é a sociedade humana ? Não sei só sei que amanhã é segunda feira...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Tudo ao mesmo tempo, agora...

Trabalho, Homens, Macacos e Revolução industrial ... yes nós temos bananas!!!

No contexto em que se dá a passagem da manufatura à maquinaria e a divisão do trabalho se materializa e se transforma em aviltante. O crescimento econômico neste processo produz alterações significativas na forma como se dá a produção de bens de consumo e principalmente na estrutura da sociedade é quando temos uma ruptura de um modo de vida e de uma forma de sociedade para dar lugar à hegemonia ao modo burguês de pensar e toda uma leva de novas tecnologias e publicações que vêem servir para justificar as mudanças ocorridas evitando a resistência a elas e vislumbrando um futuro de prosperidade e de avanços contínuos.

Para entender este fato, temos que imaginar que num primeiro momento há uma mudança de paradigmas dentro da própria dinâmica do capital, que produz uma nova forma de se pensar e uma corrida pela ciência, que ratifique e que formule as bases ideológicas do novo sistema.

Num segundo momento ocorre à disseminação do novo paradigma que prevalece sobre o antigo, quando os surgimentos de novas tecnologias justificam e servem para consolidar o mesmo. Surge então uma crença ilimitada no poder transformador das máquinas e na potencialidade das realizações humanas em transformar em todos os aspectos a sociedade e a natureza.

Então fica posto que, o conhecimento produzido em determinada época tem como principal papel social o da justificação e de reproduzir os ideais materializados pelas classes dominantes.

Sobre a forma de trabalho ou como este se configura no sistema capitalista, podemos observar a grande importância dos escritos de Marx e de Engels, no qual os dois autores dão a forma como o trabalho se mostra como uma condição básica primária a existência humana.

Quando Marx diz [...] que ao produzir seus meios de vida, o homem produz a sua própria vida material e espiritual é a mesma afirmação que Engels coloca em seu texto.quando o mesmo afirma que o trabalho é a condição primordial de toda vida humana, tão fundamental que o trabalho por si só criou o homem.

O pensamento dois foi formulado no século 19, a sociedade e o sistema capitalista, passou por grandes mudanças e consequentemente o trabalho modificou-se, com o surgimento da propriedade privada, a separação social em classes distintas, a divisão social do trabalho,Fordismo, taylorismo, capitalismo financeiro, etc.

Bem o tema poderia ser debatido aqui por extensas linhas, mas penso que o conceito desenvolvido por Marx e por Engels é bem contundente e realista e atual. O conceito proposto nos traz questionamentos internos, como que tipo de sociedade queremos ter? Se quisermos uma sociedade mais justa e igualitária, então teremos que ter primeiramente uma mudança na forma do trabalho?

Pois bem todos queremos ter uma sociedade mais justa e igualitária, mas como ter esta sociedade se não queremos abrir mão do conforto individual, se queremos manter um modelo econômico baseado na exploração? Um modelo de educação castrador e reprodutor do sistema aviltante que vivemos? Primeiramente então teremos que nos questionar, que tipo de humanidade somos? E que tipo de humanidade queremos?

"A sociedade que repousa sobre a indústria moderna não é fortuitamente ou superficialmente espetacular, ela é fundamentalmente espetaculista. No espetáculo da imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenvolvimento é tudo. O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si mesmo. " Guy Debord.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

The life is an illusion


Imagem antiga feita para o site Deviantart, ela ganhou Daily Deviation, "A tumbling tower of desktops: The life is an illusion by =graffo lends a unique grungy play on the cult of wallpapers. (Featured by $zilla774)". A imagem foi feita com a intenção de mostrar um pouco do endeusamento da mídia, a imagem forma uma espécie de totem.
Onde o mundo real se converte em simples imagens, estas simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes típicas de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência para fazer ver por diferentes mediações especializadas o mundo que já não é diretamente apreensível, encontra normalmente na visão o sentido humano privilegiado que noutras épocas foi o tato; a visão, o sentido mais abstrato, e o mais mistificável, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual. Mas o espetáculo não é identificável ao simples olhar, mesmo combinado com o ouvido. Ele é o que escapa à atividade dos homens, à reconsideração e à correção da sua obra. É o contrário do diálogo. Em toda a parte onde há representação
independente, o espetáculo reconstitui-se. Guy Debord

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Obamamania - Black Power

A Ilusão de que com Barack Obama, os EUA será um país diferente toma conta da mídia mundial, sugere-se uma nova era de ouro para a américa e para o mundo. Cramsci em seus escritos coloca que uma classe dominante ou uma classe hegemônica cria para sí uma textura hegemônica ou seja a sua base ideológica para dar suporte a sua existência, são criadas uma série de mecanismos tanto institucionais, como de idéias e de relações sociais que se perpetuam e criam para sí um consenso de valores, naturalizando assim a forma de pensar de um grupo hegemônico sobre os dominados se materializando desta forma em um conceito de governo. Para ilustrar esta idéia melhor, uso das idéias de Henry David Thoureau, quando o mesmo classifica o estado americano como uma tradição, empenhada em passar inalterada para a posteridade. Tendo este pensamento o homem (Barack Obama) é apenas um intrumento de uma classe hegemônica materializada num conceito de estado liberal sustentado por uma ideologia hegemônica, então este estado é alheio ao indivíduo que o representa. Então não podemos esperar grandes mudanças na configuração mundial, pois não houve uma ruptura ideologica, não foi criada e massificada uma nova forma de se conduzir as questões relevantes a sociedade humana, é apenas o mesmo de cara e cor nova. Para terminar penso no conceito utilizado por Marcuse, ao definir o indivíduo conformistas, consumista, desprovido de crítica e que só consegue ver apenas a aparência das coisas, o Homem Unidimensional.



O texto abaixo foi escrito sem muita preocupação acadêmica ou racional etc, escrevi como veio a cabeça....floreando as minhas besteiras com trechos do livro Sociedade do espetáculo.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação.” Guy Debord.


A América depois do pastelão tenta se recriar perante ao mundo, sai o bronco(texano típico americano), entra um negro filho de um africano com origens muçulmana para começar uma nova era de glória para a América, o kennedy negro, a mudança que todos estavam esperando, uma chance para um mundo melhor. O modo de vida americano demonstra que na maravilhosa democracia americana até um negro pode se tornar o homem mais poderoso do mundo.


A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem , onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo”. Guy Debord.

Barack Obama, o presidente negro, bem educado, exemplo de marido, bom pai, o novo herói do mundo, um sujeito cool.Agora palestinos e israelenses de mãos dadas e de joelhos,com sorrissos insano de alegria e felidade, com os olhos loucos e brilhantes cheios de um brilho ofuscante, num gesto de vislumbre ao novo mundo onde o sol brilha e os pássaros cantam lindas melodias, se confraternizam e prometem esquecer suas diferenças e viver em harmonia e fraternidade. Este é o poder negro da América Branca lar dos bravos e berço da democracia.

O espetáculo, compreendido na sua totalidade, é simultaneamente o resultado e o
projeto do modo de produção existente. Ele não é um complemento ao mundo real, um adereço decorativo. É o coração da irrealidade da sociedade real.” Guy Debord

Enfim o Super-Herói negro, icone pop, dominará o mundo com sua fala mansa e seus ternos alinhados, sua imagem irá estampar camisetas, suas frases serão repetidas, quem saiba vire um símbolo, um novo mártir, sendo assassinado por um americano branco (bronco, típico americano, quem sabe texano), o mudo dirá que o super-heroi negro tinha tudo para mudar o mundo, que nunca houve alguém igual a ele. Hollywood fará filmes grandiosos, poemas serão escritos, estátuas levantadas.

O espetáculo apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. o que aparece é bom, o que é bom aparece». A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva que, na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, pelo seu monopólio da aparência”.Guy Debord.

E o mundo, este segue o mesmo, a mesma realidade dura de cada manhã, mas o homem jaca, a mulher melão, a velha uva (passa), o velho catuaba, o Barack Obama detento, irá continuar viver um sonho vagabundo comprado a crediário, pois este não lhe doi na pele e faz parecer que num espaço de tempo não tão distante, o mundo possa ser um lugar melhor, esta é a sina do cordeiro que escolhe o caminho da ignorância pois este é sempre o caminho mais fácil.

O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens.” Guy Debord.

Share

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More